Exposições na Sala de Vidro fomentam arte e cultura na Ufop
Sala de Vidro é uma iniciativa para conectar os alunos à universidade. Foto: Sofia Mosqueira

Criado por Thácila Vasconcelos em ter, 02/06/2026 - 09:40
Por: Sofia Mosqueira
No dia 12 de maio a Sala de Vidro recebeu a exposição “Ndánji: uma raiz ancestral”, da artista, produtora cultural e mestre em Artes Cênicas Danielle dos Anjos. O espaço, localizado no campus Morro do Cruzeiro, abrigou a exposição até a última quarta-feira, dia 27, e durante esse tempo apresentou um fragmento da vida de Dani, contado a partir de diferentes produções e técnicas artísticas.
A ideia do trabalho surgiu de um projeto produzido no Programa de Formação em Artes na Fundação de arte de Ouro Preto (FAOP) e a inspiração veio da própria vivência da artista e o contato de anos que teve com o salão de beleza mantido pela sua avó e sua mãe, o Salão de beleza dos Anjos.
Através das imagens, conectadas por tranças, a produção propõe uma reflexão sobre o feminino corpo da negrura, através do cabelo e marcas da vivência dentro do salão de beleza. O trabalho de Dani também é resultado do ponto central de suas pesquisas acadêmicas, que abordam o lugar do feminino negro, que na exposição conversam com a relação de mãe, filha e avó construída a partir desse lugar.
O nome “Ndánji” vem do dicionário kimbundu e quer dizer raiz, sobre isso a artista explica: “eu estou falando da minha ancestralidade, da minha raiz ancestral, eu estou falando de cabelo, eu tô falando de raiz também nesse sentido. E aí quando eu vejo as tranças pelo espaço me lembra também muito essa coisa da trepadeira, que vai criando raízes, se agarrando às coisas, então, assim, para mim raiz foi óbvio”.
Andando pelo espaço, Dani traz diversos elementos, tranças feitas de corda, cabeças moldadas em terracota, toalhas manchadas de tinta de cabelo, pinturas e diversas outras imagens que representam a vivência no salão de beleza e seus simbolismos na vida da mulher negra.

Dani dos Anjos aborda um espaço de memória e resistência. Foto: Sofia Mosqueira
“Eu percebo o quanto que a exposição vai além do cabelo, ela vai nesse lugar também de como, durante muito tempo, foram usados alguns objetos como forma de opressão, objetos inclusive que não foram criados para serem usados para alisar o cabelo [...] Da mesma forma que as mulheres passam por esse processo de agressão, e uma perda da identidade, a gente também passa, a tendência é a gente sempre tentar ser diminuído e colocado dentro de uma caixinha que não foi feita para gente, entende? Eu me identifiquei muito com tudo por conta disso, deixou muito evidente essa vivência que é de uma comunidade inteira”, relata Elison Lima, estudante de Artes Cênicas na Ufop, em uma visita realizada pela professora Nina Caetano com os alunos ao local.
Para Nina, ter o espaço da Sala de Vidro é de extrema importância, e no caso da exposição de Dani, esta dialoga diretamente com a matéria de Intervenções e Performances Urbanas do DEART e é uma maneira dos alunos também entrarem em contato com a prática.
A Sala de Vidro
O espaço da Sala de Vidro foi inaugurado no final de outubro de 2025 pela Coordenadoria de Cultura (CCULT) como um potente equipamento cultural na UFOP. Apesar de estar localizado ao lado do restaurante universitário, lugar onde muitos alunos passam diariamente, Flavianne, estudante de turismo responsável por acompanhar as exposições na sala de vidro, conta que muitos alunos ainda têm receio de entrar no espaço, talvez por uma falta de estímulo ao consumo de cultura. “Nessa sala a gente pensa em criar uma sala de descompreensão, trazer alguns eventos para dentro desse espaço e fazer com que a comunidade se aproxime mais. Mas primeiro a gente precisa que as pessoas se sintam confortáveis para entrar, sem medo, e que conforme elas vão se acostumando, a gente coloque outras atividades aqui dentro, para chamar esse público", diz ela.
A exposição “Ndánji: uma raiz ancestral”, faz parte do calendário de atividades da Pró-reitoria de Extensão e Cultura, que promete trazer diversas ações expositivas ao longo do semestre. A partir do 3 de junho o espaço recebe o trabalho da professora, e artivista feminina, Nina Caetano, a exposição “Po-éticas de Luto, Po-éticas de Luta”, que propoe uma reflexão sobre feminicídios, genocídio da juventude preta e periférica, memória e resistência. O material ficará exposto até o dia 24 do mesmo mês.
